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Um relacionamento pode sobreviver a infidelidade?

  • Foto do escritor: Ramon Bennett
    Ramon Bennett
  • 12 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Como Sobreviver à Infidelidade

É uma pergunta antiga e ainda necessária: pode um relacionamento saudável sobreviver a uma traição?

A ideia de amor e compromisso tem se transformado ao longo dos séculos — e hoje esperamos dos vínculos o impossível: plenitude, estabilidade e redenção. Mas quando a infidelidade acontece, tudo se torna ambíguo. Queremos que o outro assuma a responsabilidade, que se arrependa, que nos devolva a paz. Contudo, o que a infidelidade expõe não é apenas o erro, mas o abismo entre o que desejamos e o que suportamos ser. Uma traição pode parecer o fim — mas também pode ser o início de uma reconstrução, um processo longo, árduo e profundamente transformador.


Os Muitos Rostos da Infidelidade

Nem toda infidelidade é feita de corpos. Há traições que nascem no olhar, na mensagem que não se apaga, no desejo que se esconde em palavras sutis. De modo geral, há dois tipos de infidelidade:

Física, quando o ato sexual consuma o segredo;

Emocional, quando o vínculo se estabelece no território invisível da intimidade.

E, como mostram as pesquisas, a infidelidade emocional tende a causar feridas mais profundas — porque invade o espaço onde o amor acredita ser único.

As Causas da Traição

A infidelidade é quase sempre sintoma de algo não dito. Em alguns casos, nasce da negligência afetiva, do sentimento de invisibilidade, ou de um silêncio que se instalou entre dois corpos. Outras vezes, é o eco de conflitos não resolvidos ou do medo de encarar o próprio tédio, essa monotonia que ameaça o desejo.

Há quem traia por carência, quem traia por curiosidade, quem traia porque ainda não aprendeu a estar só. Mas, independentemente da causa, trair é sempre uma escolha — consciente ou inconsciente, mas uma decisão de atravessar a fronteira da ética compartilhada.

Os Efeitos da Traição

Para quem é traído, a dor é devastadora. O chão da confiança se parte, o corpo perde o eixo, e tudo o que era familiar se torna estrangeiro. Surge uma mistura de raiva, humilhação, ciúme e incredulidade. A comunicação se rompe, a intimidade se retrai, e o olhar — antes abrigo — passa a ser ameaça. Alguns casais não suportam. Outros, paradoxalmente, renascem — não apesar da infidelidade, mas a partir dela.

Sobreviver é Reaprender a Falar

Algumas atitudes são fundamentais para atravessar a dor:

Buscar terapia de casal ou individual, preferencialmente com um terapeuta especializado em sexualidade e vínculos.

Falar com verdade — sobre o que doeu, o que ficou, o que ainda é possível.

Evitar acusações, mas também não negar a raiva.

Reconhecer o tempo do luto, sem pressa para perdoar.

Cuidar de si, antes de tentar cuidar do “nós”.

A confiança, quando quebrada, não se reconstrói com promessas. Reconstrói-se com gestos constantes, honestidade radical e paciência.


Quando o Outro Não se Arrepende

Uma das feridas mais profundas é quando o parceiro infiel não pede desculpas ou parece não sentir culpa. Mas cada pessoa elabora o erro de um modo próprio. Alguns se anestesiam para não encarar o dano causado; outros se defendem no orgulho. Mesmo assim, se ainda houver afeto, a cura só é possível quando há responsabilização verdadeira — não justificativas. E sim, é possível mudar. O ditado “uma vez infiel, sempre infiel” é preguiçoso e moralista. A mudança existe — mas requer coragem, consciência e reparação.


Quando um Não Quer Terapia

Se o parceiro recusa o acompanhamento terapêutico, pode ser porque não suporta enfrentar o próprio espelho. O papel de quem foi traído, nesse caso, é não confundir paciência com complacência. Convidar o outro para a escuta não é insistir, é abrir a possibilidade da verdade. Mas ninguém se cura de um vínculo sozinho.


Sinais de Infidelidade

Alterações de rotina ou interesse repentino pela aparência.

Segredos sobre o celular e ausências prolongadas.

Desconexão emocional e afastamento físico.

Gastos inexplicáveis ou distanciamento afetivo repentino.

Esses sinais não são provas — são ecos de um desencontro. E, às vezes, o mais urgente não é descobrir se houve traição, mas perceber há quanto tempo o casal parou de se encontrar.


Reconstruindo a Confiança

Reconstruir a confiança é como cuidar de uma ferida aberta: tudo dói, tudo é lento, tudo exige presença. O primeiro passo é assumir a responsabilidade — sem culpar o outro. O segundo, compreender a motivação, sem transformar o motivo em desculpa. E o terceiro, permitir o tempo do reparo, porque o perdão não é um evento, é um processo.


Em Síntese

Então, pode um relacionamento sobreviver à infidelidade?



Sim — mas não o mesmo relacionamento. O vínculo que renasce após a traição é outro: mais consciente, mais exigente e, talvez, mais verdadeiro. A infidelidade pode destruir, mas também pode despertar. Porque, às vezes, é no escombro da dor que se descobre o amor maduro — aquele que não é ideal, mas é real.

Uma paciente certa vez me disse: “- Que o meu marido jamais descubra, mas a traição dele foi a melhor coisa que podia acontecer em nossa relação. Se não fosse pela traição, jamais teríamos feito terapia e o nosso relacionamento seguiria uma merda. Parece que eu me divorciei e me casei com outro homem, mais maduro, mais presente.”

Quando há verdade, arrependimento e esforço mútuo, é possível que o amor retorne —não o amor inocente de antes, mas o amor lúcido que conhece as falhas e ainda assim escolhe ficar.



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