_edited.png)
instituto ramon bennett
vício em jogos

Em algum ponto da caminhada interior, o jogo deixa de ser lazer e se torna necessidade. O que antes era passatempo passa a ocupar todos os espaços, e a linha entre prazer e fuga começa a se apagar. O vício em jogos não é falta de disciplina; é a alma tentando expressar, com o pouco que resta de presença, que algo dentro de nós precisa ser revisto, compreendido e acolhido.
As perguntas chegam em silêncio, quase escondidas: Por que não consigo parar? Por que o mundo real parece sem graça perto do jogo? O que eu estou tentando esquecer quando entro nessa tela? O vício não é sinal de fraqueza, é o corpo e a mente dizendo que estão exaustos de sustentar uma realidade sem espaço para descanso, pertencimento ou sentido.
Vivemos em um tempo que recompensa a distração e glorifica o desempenho. Nesse cenário, muitos encontram nos jogos um refúgio: um lugar onde tudo é possível, controlável, previsível. Mas quando o refúgio se torna prisão, o jogo deixa de ser escolha, e passa a ser a tentativa inconsciente de preencher um vazio que não se resolve com pontos ou vitórias.
No Instituto Ramon Bennett, a terapia para vício em jogos é um espaço de reconexão entre o real e o simbólico, entre o impulso e o sentido. O processo terapêutico ajuda o paciente a compreender as causas emocionais e existenciais do vício, a lidar com a ansiedade e a solidão que o alimentam, e a reconstruir uma relação mais saudável com o tempo, com o prazer e com a própria vida.
Trabalhar o vício é reaprender a jogar de outro modo, não para fugir do mundo, mas para habitá-lo com mais presença. É permitir que o prazer volte a ter corpo, que o tempo volte a ter sentido, que o real volte a ser suficiente. Recuperar-se não é negar o jogo, é libertar-se da necessidade de escapar. É perceber que, mesmo por trás das telas, há uma vida chamando por espaço, pedindo apenas coragem para ser vivida outra vez.